quarta-feira, 30 de novembro de 2016

E assim foi a minha tarde de hoje!

- Olha lá, serias capaz de me escrever uma cartita, que eu te noto, para o meu Joaquim que anda lá pelos Brasis há mais de três meses e ainda lhe não escrevi nada? Era um favor grande que me fazias
- Com certeza, ti Manel. O prazer será todo meu. Mas não tenho aqui papel nem envelopes de avião.
- Ah, não te apoquentes com isso. Eu já fui ali á taberna da Rosa e merquei lá uma folha e um envelope. É só escrever, dobrar e coloca-la dentro do envelope para eu amanhã ir levar á ambulância dos Correios lá na estrada de alcatrão, no S. Tomé das Cascalhas. Até já tem selo e tudo. Fazes-me então esse favor? Anda que não perdes nada com isso e no fim ainda vamos ter tempo de ir jogar uma bisca e beber um parreirol lá ao Zé Calvoeiro que o tem lá bem bom.
E assim foi a minha tarde de hoje!
Ia ouvindo com atenção, escrevendo frases corretas e cumprindo exactamente as suas declarações e determinações, pondo no papel a mensagem de irmão para irmão. Falou-lhe de tudo. Do tempo aos campos e cearas. Das vindimas e dos namoros na terra, Das mortes e dos nascimentos. Até do rol dos porcos lhe falou e das percas que pagou no rol dos bois.
Hora e meia depois de começar, já estávamos no Zé Calvoeiro, lá perto do Cruzeiro, a provar o parreirol do homenzinho.

Há dias assim. Outros virão…

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